Obrigado! Recebemos a sua mensagem. A nossa equipa responderá o mais brevemente possível.

Cultura dos jogos

Comunidade

A ascensão discreta das noites de jogos locais

Publicado a 14 de julho de 2026

Durante uma década, a história dos jogos em Portugal foi, em grande parte, uma história de ecrãs cada vez mais distantes uns dos outros. A banda larga chegou a mais lares, os sistemas de matchmaking colocavam um desconhecido de qualquer lugar no teu lobby em questão de segundos e a ideia de atravessar a cidade de carro para jogar na mesma sala começou a parecer antiquada. Em 2026, essa tendência está silenciosamente a inverter-se.

Em Lisboa, no Porto, em Braga e em Coimbra, as pequenas noites de jogos presenciais estão a tornar-se novamente uma constante — não por nostalgia, mas como uma resposta prática ao cansaço que a vida exclusivamente online passou a causar.

Salas pequenas, rostos conhecidos

O formato é geralmente modesto. Um café liberta algumas mesas numa noite de semana com pouca afluência. Um bar de jogos de tabuleiro coloca algumas consolas ao lado das suas prateleiras. Um grupo de amigos revezam-se a organizar uma noite de LAN na casa de quem tiver o melhor sofá. Os números são reduzidos — muitas vezes uma dúzia de pessoas, por vezes menos — e é precisamente essa a ideia. Estas noites assentam no facto de se reconhecerem os mesmos rostos semana após semana, e não em perseguir uma multidão.

O que têm em comum é uma baixa barreira à participação. Não é preciso ter uma classificação competitiva nem um equipamento caro. Basta ter uma noite livre e vontade de perder algumas partidas em boa companhia.

Porquê agora?

Vários fatores parecem estar a impulsionar esta tendência em simultâneo:

Cansaço de jogar exclusivamente online. Após anos de auscultadores e chat de voz, muitos jogadores querem simplesmente sentar-se ao lado de alguém e passar-lhe o comando.
A influência dos jogos de tabuleiro. A dinâmica e saudável cena dos jogos de tabuleiro em Portugal normalizou a ideia de sair especificamente para jogar, e os videojogos estão a acompanhar essa tendência.
Estabelecimentos à procura de noites tranquilas. Os cafés e bares descobriram que uma noite de jogos à terça-feira enche mesas que, de outra forma, ficariam vazias.

O que isso significa para a cultura

As noites de jogos locais conseguem algo que os sistemas de emparelhamento não conseguem. Misturam níveis de habilidade sem classificar todos em categorias, permitem que os recém-chegados aprendam observando os mais experientes e transformam o ato de jogar numa atividade social, em vez de um hábito solitário. Para muitas pessoas, essa mudança — de jogar contra outros online para jogar com outros pessoalmente — é o verdadeiro encanto.

Nada disto vai substituir o jogo online, nem precisa de o fazer. Mas se sentiste que jogar se tinha tornado algo que fazes principalmente sozinho, a boa notícia é que, em cada vez mais cidades portuguesas, isso voltou a ser uma escolha e não mais a norma.

Perspetiva em primeira pessoa de um jogador a utilizar um teclado mecânico enquanto joga um jogo de PC num monitor de grandes dimensões com iluminação RGB colorida, numa configuração moderna para jogos.

 

Cultura

Por que é que o modo cooperativo no sofá está a voltar à moda

Publicado a 14 de julho de 2026

Houve um período em que o modo cooperativo no sofá parecia ter sido uma vítima do progresso. À medida que a infraestrutura online melhorava e os jogos se tornavam mais ambiciosos, a experiência de ecrã partilhado foi desaparecendo discretamente de muitos grandes lançamentos. O ecrã partilhado era dispendioso de desenvolver e fácil de eliminar. Para quê dar-se ao trabalho, quando os jogadores podiam simplesmente iniciar sessão a partir de casas diferentes?

Em 2026, essa suposição está a ser questionada — primeiro pelos jogadores e, cada vez mais, pelos criadores.

O encanto nunca desapareceu de todo

Pergunte às pessoas do que sentem falta e as respostas são semelhantes: o caos de estar cotovelo a cotovelo, as discussões amigáveis, o facto de uma partida má ser mais divertida quando a pessoa que a causou está sentada mesmo ao teu lado. O modo cooperativo no sofá transforma um jogo numa noite partilhada. Também diminui a pressão. Ninguém está a lutar por uma classificação; estão apenas a jogar, e o ambiente social é, por isso, mais descontraído e acolhedor.

Uma mudança de design, não apenas nostalgia

O que é interessante é que isto não se resume apenas a uma questão sentimental. Uma onda de estúdios mais pequenos criou jogos inteiros em torno da ideia de que duas ou mais pessoas devem poder jogar na mesma sala, e o seu sucesso tem sido difícil de ignorar pela indústria. Os jogos cooperativos para festas e as aventuras para dois jogadores centradas numa história demonstraram que o design de ecrã partilhado pode ser uma característica principal, em vez de um pormenor secundário.

A realidade prática também ajuda:

As salas de estar estão melhor equipadas. Ecrãs maiores e vários comandos são comuns, tornando a configuração muito simples.
Jogo intergeracional. O modo cooperativo no sofá é, muitas vezes, a forma como as famílias e os grupos de idades mistas jogam realmente juntos.
Um contrapeso ao esgotamento. Para os jogadores cansados dos espaços competitivos online, uma noite descontraída no sofá é uma verdadeira recarga de energias.

Onde apresenta lacunas — e para onde se dirige

O modo cooperativo no sofá ainda tem as suas limitações. Muitos dos maiores títulos continuam a dar prioridade ao modo online, e o desempenho no ecrã dividido pode ser um compromisso. Mas o rumo a seguir é claro: o jogo em ecrã partilhado já não é tratado como uma relíquia. Está a ser novamente concebido para isso, de forma deliberada. Para quem cresceu a passar o comando de um para o outro, isto representa um pequeno, mas bem-vindo, regresso de algo que vale a pena preservar.